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Merkel defende legado em despedida como líder de partido

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A chanceler alemã, Angela Merkel, fez nesta sexta-feira (7) uma defesa de seus 18 anos como chefe da União Democrata Cristã, que se reúne em Hamburgo para escolher um novo líder para sucedê-la. 

Ovacionada de pé por quase 10 minutos pelos delegados, muitos emocionados e segurando cartaz com os dizeres “obrigado, chefe”, Merkel, 64, afirmou que a CDU venceu quatro eleições nacionais sob sua liderança ao se manter firme em seus princípios. 

Em 13 anos como chanceler, ela dominou a política europeia como uma figura que administrou a crise e buscou construir consensos.

“Foi um grande prazer para mim, uma honra”, afirmou. 

“Em tempos difíceis, não devemos nos esquecer dos nossos valores democráticos e cristãos.”

“A CDU em 2018 não deve olhar para trás mas olhar para frente, com novas pessoas, mas com os mesmos valores”, acrescentou. 

O novo líder será escolhido por 1.001 delegados em votação nesta sexta. O vencedor provavelmente irá liderar o partido nas próximas eleições federais, em outubro de 2021.

Fazendo uma referência ao crescimento do populismo ao redor do mundo e ao que chamou de colapso dos valores ocidentais, Merkel afirmou que a ordem que ela sempre defendeu está sob risco.

“Seja a rejeição do multilateralismo, o retorno do nacionalismo, a redução da cooperação internacional ou a ameaça a guerras comerciais, a desestabilização das sociedades com as fake news ou o futuro da União Europeia, nós, democratas cristãos, devemos mostrar o que temos diante de todos esses desafios”, disse. 

Os dois principais candidatos para liderar a CDU são a atual secretária-geral do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer, 56, conhecida como AKK e também chamada de “Merkel bis”, e o advogado do mundo corporativo Friedrich Merz, 63, que propõe uma guinada à direita da CDU e do país. 

O ministro da Saúde, Jens Spahn, 38, não aparece com chances de obter a indicação. 

Merkel surpreendeu o país em outubro ao anunciar que não buscaria a reeleição como líder da CDU na conferência anual do partido, após uma série de derrotas eleitorais regionais que tiveram como pano de fundo a política imigratória de seu governo. 

A decisão de hoje é considerada crucial para determinar se a líder conseguirá terminar seu mandato em 2021 e então deixar a política.

“Sinto reconhecimento por ter sido presidente durante 18 anos”, afirmou Merkel. “Foi um período muito longo, no qual a CDU passou por altos e baixos”, acrescentou.

“Espero que saiamos dessa conferência partidária bem equipados, motivados e unidos.”

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