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Facebook exclui 800 contas por fazerem spam político com usuários

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O Facebook anunciou nesta quinta-feira (11) ter excluído mais de 800 páginas e perfis por violarem sua regra contra spam ao encaminharam a outros usuários da rede social um grande volume de conteúdo político, em uma decisão que pode causar uma nova leva de acusações de censura política contra a empresa.

As contas e páginas, com nomes como Reasonable People Unite [pessoas razoáveis unidas] e Reverb Press (imprensa ressonante), provavelmente eram operadas por americanos, e usavam manchetes concebidas para atrair visitantes e outras táticas associadas ao spam a fim de conduzir usuários a sites nos quais ficariam expostos a publicidade, informou a empresa.

Algumas delas tinham centenas de milhares de seguidores e as opiniões políticas expressas eram bastante variadas. Entre elas havia uma página que se definia como “primeira publicação a endossar o presidente Donald Trump”. Não parecia haver elos entre as contas e páginas e a Rússia, disseram representantes do Facebook.

A companhia anunciou que não removeria as contas por conta do tipo de conteúdo postado, mas sim por causa do comportamento adotado, que inclui spam contra grupos de Facebook, com reprodução de páginas de conteúdo idêntico e uso de perfis falsos.

“Hoje estamos removendo 559 páginas e 251 contas que violaram consistentemente nossas regras contra spam e coordenaram comportamento não autêntico”, afirmou a companhia em um post. “As pessoas só compartilharão conteúdo no Facebook caso se sintam seguras e confiem nas conexões que fizerem aqui”.

Mas a decisão de transformar em alvo sites americanos com determinadas orientações políticas poucas semanas antes das eleições legislativas dos Estados Unidos certamente vai atrair a ira de organizações políticas e de seus aliados, que já acusam as empresas de tecnologia por seus vieses políticos e censura arbitrária a conteúdo político.

Desde que agentes russos usaram o Facebook para direcionar conteúdo a eleitores americanos antes da eleição presidencial de 2016, a empresa vem sofrendo forte pressão para que reprima conteúdo que poderia prejudicar o processo democrático nos Estados Unidos.

Mas o desafio de policiar conteúdo nacional é ainda mais complicado que o de buscar identificar interferência estrangeira, porque é mais difícil definir o que que constitui expressão política legítima. Ao remover essas organizações inteiramente, o Facebook está determinando que elas não terão oportunidade de se redimir.

Uma das páginas —”Nation in Distress” (nação em crise)— afirma ser “a primeira publicação online a endossar o presidente Donald Trump”. Fundada em 2012, ela recebeu mais de 3,2 milhões de likes e conquistou mais de 3 milhões de seguidores, de acordo com uma revisão conduzida pelo nornal The Washington Post na quinta-feira.

Em posts e fotos recentes, ela criticou jornalistas por não terem noticiado uma proposta de Trump à China e divulgou um link para uma reportagem que definia a deputada federal Maxine Waters como “demente”. 

A página é afiliada a um site chamado “America’s Freedom Fighters”, que parece postar conteúdo próprio e reproduzir material de divulgação escrito por terceiros sobre crimes violentos e o direito ao porte de armas—tudo isso ao lado de uma barra lateral de publicidade.

Outra página, a Reverb Press, tinha mais de 700 mil seguidores. Os posts publicados nela atacavam o presidente Trump e definiam os republicanos como “trapaceiros escrotos”.

Uma terceira página de esquerda, Reasonable People Unite, postou uma imagem de tela da mensagem de um usuário do Twitter, que escreveu que “em algum lugar dos Estados Unidos, uma adolescente está ouvindo seus pais defenderem Brett Kavanaugh, e pensando consigo mesma que, se algo parecido lhe acontecer, ela não tem a quem recorrer”.

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