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Aplicativos de compras entregam em casa de comida a camisinha

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Desde que começou a receber pedidos pelo aplicativo Rappi, o motoboy Rodrigo Azevedo, 32, já cruzou a cidade para fazer de tudo: levar comida, pagar contas, pegar documento em cartório, sacar dinheiro e até comprar roupa íntima e camisinha.

“Para onde me mandarem estou indo, para qualquer lugar. É normal, compro como se fosse para mim.”
A empresa para a qual presta serviço faz parte de um novo segmento, de aplicativos que prometem delivery de tudo. Prometem entregar qualquer coisa para o cliente em poucos minutos.

Fazem isso contando com entregadores autônomos cadastrados que recebem por encomenda, como fazem Uber, Cabify e 99 para o transporte de passageiros.

O modelo vem atraindo investimentos milionários, e as startups (jovens empresas de tecnologia) do setor têm no Brasil um dos mercados que consideram mais promissor.

Enquanto o Rappi, que nasceu na Colômbia, levantou US$ 185 milhões (R$ 685 milhões) de fundos de capital de risco em março, seu principal rival, a espanhola Glovo, recebeu € 115 milhões (R$ 495 milhões) no fim de julho.

A meta, diz Bruno Raposo, diretor da Glovo para o Brasil, é concentrar todas as vendas de aplicativos em seu sistema.

“Usando nosso serviço, você não precisa de nenhum outro aplicativo de entregas”, diz.

O consumidor que entra no serviço das empresas vê uma lista de lojas parceiras delas. Esses estabelecimentos têm seus produtos catalogados e é possível fazer compras neles como em um app de delivery.

O cliente paga o preço do produto, mais uma taxa pela entrega —com piso de R$ 6,90 que pode aumentar dependendo da distância entre a loja e a casa do cliente.

Já o estabelecimento parceiro paga uma comissão ao aplicativo, que no caso da Glovo é de 30% (a Rappi não informa o percentual).

Não é preciso se restringir ao catálogo. Ambas têm ferramenta que permite ao cliente pedir o que quiser.
Assim que o pedido chega à empresa, um atendente pesquisa onde é possível encontrar o item e envia um motoboy para fazer a compra.

“Já tivemos uma mãe que pediu 40 balões de gás hélio para o aniversário do filho. Em 45 minutos atendemos”, diz Ricardo Bechara, diretor de expansão da Rappi.

Raposo, da Glovo, diz que 10% dos consumidores optam por essa entrega personalizada. Nas duas startups, o mais comum é a compra de comida em restaurantes, mais tradicional no setor de delivery.

As companhias não informam o número de parceiros e entregadores. A Glovo funciona em São Paulo. A Rappi já está em dez cidades, incluindo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba.

O modelo de entregas a partir de autônomos também é usado pela startup Supermercado Now, especialista em compras de supermercado.

O clientes escolhem o que querem em um aplicativo e um comprador cadastrado vai ao mercado buscar.
Há nove meses essa é a atividade principal de Clóvis Alberto, 45. Por causa da crise, ele perdeu seu emprego como analista de controle e produção na indústria farmacêutica.

“Esse é um trabalho que eu já exercia em minha casa normalmente, acompanho minha mãe, minha esposa no mercado, não tive dificuldade.”

Ele conta fazer de dez a 12 compras diárias de segunda-feira a sábado. Nos dias mais movimentados, pode ganhar R$ 200.

A situação é similar à de Rodrigo Azevedo, 32, entregador que trabalha com a Rappi há nove meses. “Estava desempregado, desesperado. Esse serviço caiu para mim na hora em que eu mais precisava.”

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