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Uber suspende programa de veículos autônomos após atropelamento fatal

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(foto: Divulgação)(foto: Divulgação)

 

A empresa americana Uber suspendeu nesta segunda-feira (19/3) seu programa de veículos autônomos depois que um desses carros atropelou e matou uma pedestre em Tempe (Arizona, sudeste dos Estados Unidos).
O veículo da Uber transitava em modo autônomo, com um operador atrás do volante, quando atingiu uma mulher que atravessava a rua na noite de domingo, informou a empresa com sede em San Francisco. 
A vítima foi levada para o hospital, onde faleceu.
“Nossos corações estão com a família da vítima”, disse um porta-voz da Uber à AFP. “Estamos cooperando plenamente com as autoridades locais em sua investigação deste incidente”, acrescentou. 
A Uber anunciou a suspensão de seus carros sem condutor que estava testando, ou usando, em Tempe, Pittsburgh, Toronto e San Francisco. 
A empresa só utilizava veículos autônomos como parte de seu serviço regular de aluguel de carros em Tempe e Pittsburgh. 
Dentro do carro, viajava apenas um operador, no assento do motorista, quando aconteceu o acidente fatal, segundo a empresa. A polícia apreendeu o veículo. 
O acidente fatal deste domingo foi o primeiro envolvendo um pedestre. 

Tecnologia lenta?

O primeiro acidente fatal de um carro autônomo foi relatado em meados de 2016 e envolveu um Tesla. 
O Tesla Model S, conduzido no “piloto automático”, não conseguiu detectar um caminhão cruzando a pista, o que provocou a morte do motorista. Mais tarde, soube-se que ele manteve as mãos fora do volante por períodos prolongados, apesar dos avisos para não fazê-lo. 
Pesquisadores do US Transportation Safety Board determinaram que a causa provável do acidente foi a combinação de “falha do motorista do caminhão de não ceder a passagem e falta de atenção” do ocupante do carro, “devido à confiança excessiva na automação do veículo”.
Como no acidente fatal da Tesla, o da Uber provavelmente despertará preocupações de a indústria estar avançando rapidamente demais para implantar veículos autônomos. 
A Waymo, de propriedade da Google, testa há anos carros que se conduzem autonomamente, competindo com a Uber. No início deste mês, começou a usar caminhões autônomos para transportar carga. 
A Uber fez um anúncio similar, alegando que usa caminhões autônomos como parte de um serviço de transporte sob demanda no Arizona. 
Em setembro, a secretária de Transportes dos Estados Unidos, Elaine Chao, apresentou novas diretrizes que permitem mais testes para os carros sem motorista e abordam a regulação entre o governo federal e os estados.

Exame de vista

Vários estados dos Estados Unidos estabeleceram suas próprias normativas para as estradas, e alguns aprovaram leis que permitem o uso de veículos autônomos. 
A Califórnia e o Arizona têm sido particularmente encorajadores, esperançosos de que as empresas que desenvolvem essas tecnologias criem empregos e instalações dedicados à nova indústria.
A professora de robótica da Universidade de Duke Missy Cummings está entre as pessoas que defendem a desaceleração da introdução de veículos autônomos para evitar riscos e estabelecer regulamentações adequadas. 
Enquanto as máquinas são melhores em ficar alerta e reagir às situações de rotina, os motoristas humanos são superiores para lidar com situações incomuns ou inesperadas, disse Cummings. 
A professora argumentou que, se as pessoas precisam passar nos exames de vista para obter carteiras de motorista, os veículos autônomos também devem ser aprovados. 
“Dado que ainda estamos aprendendo e descobrindo problemas importantes, temos que nos perguntar por que estamos tentando fazer com que essa tecnologia seja usada em massa”, disse Cummings à AFP. 
“Sou uma grande fã de tecnologia, mas não está testado e é experimental.”

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